Carlos Barth
Nome completo: Carlos Barth Junior
Nascimento: 1887, em Rio Pardinho, Santa Cruz do Sul
Pais: Karl Franz Barth e Johanna Maria Iserhard
Esposa: ElviraFriedrichs
Filhos: Renata, Léa, Egon e Harry
Atividade: Comerciante e fundador da Loja A Brasileira
Falecimento: 1965, em Porto Alegre
Nas lembranças daqueles que conviveram com ele, Carlos Barth aparece, antes de tudo, como um homem de método. A pontualidade, a disciplina e a organização não eram apenas hábitos de trabalho: faziam parte de sua maneira de viver. Acordava cedo, almoçava exatamente ao meio-dia, jantava às sete da noite e mantinha uma rotina que raramente admitia improvisações.
Nascido em Rio Pardinho, iniciou ainda jovem sua vida no comércio. Depois de uma primeira experiência profissional, veio para Porto Alegre, onde trabalhou durante vários anos na firma H. D. Maier, então uma importante casa de fazendas. Ali conquistou progressivamente novas responsabilidades, chegando à posição de caixeiro-viajante.
A experiência adquirida e as economias reunidas permitiram que começasse seu próprio negócio. Depois de um pequeno armazém, fundou a loja de fazendas que recebeu o nome de A Brasileira. A empresa cresceu, mudou de endereço e acabou se estabelecendo na Rua Uruguai, no centro de Porto Alegre.
Carlos não se limitava a administrar a loja. Interessava-se pelas compras, pela disposição das mercadorias, pelos anúncios e pela maneira de apresentar a casa ao público. Uma viagem à Europa, realizada em 1923, teria servido para conhecer novas formas de comércio, organização e propaganda. Anos mais tarde, seus filhos Egon e Harry também passaram a participar da empresa.
Seu envolvimento com o trabalho era absoluto. Saía de casa muito cedo e era normalmente o primeiro a chegar. Abria a porta da loja, entrava e tornava a fechá-la, pois ainda não era hora de receber o público. Mais tarde, descia novamente para fazer a abertura oficial.
A mesma ordem podia ser vista em sua mesa no mezanino da Brasileira. Tudo permanecia no lugar. Os lápis estavam sempre perfeitamente apontados, incluindo um lápis de duas pontas, uma vermelha e outra azul. Os netos gostavam de levar até ali seus próprios lápis escolares. Carlos interrompia o que estava fazendo, recebia as crianças e apontava um por um.
Vestia-se quase sempre com ternos bem cortados, gravatas discretas e, por vezes, um brilhante na lapela. Mesmo nos fins de semana, conservava a formalidade. As roupas mais informais eram reservadas principalmente para os períodos passados em Canela ou em Capão da Canoa, ainda assim dentro de um estilo muito próprio.
Outro interesse constante eram as corridas de cavalos. Durante muitos anos frequentou o antigo Prado da Baixada e, mais tarde, o Hipódromo do Cristal. Tratava as apostas com a mesma lógica que aplicava aos negócios. Quando lhe perguntavam se havia ganhado, respondia que havia “equilibrado”: as vitórias serviam para cobrir aquilo que antes perdera.
Carlos não era um homem de demonstrações ostensivas de afeto. Não costumava colocar os netos no colo ou distribuir carinhos. Sua atenção aparecia de outra maneira: nos objetos cuidadosamente guardados, nas pequenas providências, nas viagens organizadas e no desejo de proporcionar experiências às crianças.
Maria, sua neta mais velha, resumiu essa lembrança:
“O Vô Carlos não era uma pessoa obviamente carinhosa. Não era de colocar a gente no colo ou fazer carinho. Mas era uma pessoa que todas as crianças consideravam que gostava muito da gente e que faria tudo para a gente ser feliz.”
A imagem que permaneceu foi a de um homem rigoroso, elegante e trabalhador, cuja afeição se manifestava menos nas palavras do que nos atos. Sua história está ligada ao crescimento de A Brasileira, mas também às pequenas cenas preservadas pela família: a mesa impecável, os lápis apontados, as notas novas colocadas junto ao prato dos netos e a presença firme de alguém que organizava o mundo ao seu redor à sua própria maneira.