### 1. Abertura e Introdução Solene

(Locutor Principal):

Engalanam-se as antenas da Rádio Itaí e, em nossos corações, a alegria e emoção que assinalam os grandes eventos. Na noite de hoje, amigos, em nome da admiração e da estima que devotamos aos grandes feitos e aos grandes homens, vamos buscar dentro de nosso coração a homenagem justa e merecida a Carlos Barth Júnior, homem que vale por um símbolo de trabalho fecundo e honesto, e fundador da mais popular loja da cidade: A Brasileira.

Foi há 37 anos passados, na tradicional Avenida Eduardo, número 52, em frente ao cinema daquele tempo. Uma senhora entrou apressadamente e seguiu até o balcão:

### 2. Dramatização: O Atendimento na Loja Antiga

Cliente (Senhora): Faz favor, faz favor! Eu queria ver o preço desses cobertores grandes.

Vendedor (Carlos Barth Júnior): Pois não, minha senhora. É um artigo novo e da melhor qualidade. Está sendo, por isso, muito bem vendido aqui.

Cliente: Sim, sim. Mas eu quero saber o preço antes de tudo.

Vendedor: 2.300 réis.

Cliente: O quê? 2.300 réis?

Vendedor: Sim, senhora. É um artigo novo da melhor qualidade.

Cliente: Se o artigo é bom e novo, é um cobertor peluciado... Eu sei, isso eu sei. Mas esse preço eu não pago, eu levo o cobertor por 2.000 réis.

Um cobertor peluciado tamanho grande, 2.000 réis, com desconto, porque sem desconto seria 2.300. Sem dúvida era o melhor preço da época.

E como até hoje, quando se tratava de melhor preço, logo alguém pergunta: "Mas quem está vendendo por preço tão bom assim?"

* Voz de Fundo: A Brasileira!

### 3. A Expansão da "A Brasileira"

(Narrador):

Sim, amigo, A Brasileira. A Brasileira nascia e com ela nascia a fama de que goza até hoje como a mais barateira da cidade. Naquele tempo, situava-se na Avenida Eduardo, número 52 . Hoje, está no coração da cidade e no coração do porto-alegrense. E não há quem não saiba, por isso mesmo, seu endereço tradicional. Até mesmo uma criança já sabe de cabeça.

Hoje todos nós sabemos e conhecemos o prestígio de que goza A Brasileira junto à família rio-grandense. Não há dona de casa que não se dirija à Rua Uruguai, 318, quando deseja uma novidade para o lar, um tecido para nova toalha de mesa e tantas e tantas outras coisas mais. Sabemos que ali se encontra realmente barato e, por isso, A Brasileira é aquele colosso de quatro portas, diversos pisos e um elevador interno para dar vazão ao trabalho diário e, ao mesmo tempo, atender melhor a sua distinta freguesia.

Mas amigos, entre o endereço antigo na Avenida Eduardo, 52, e o endereço atual na Rua Uruguai, 318, há uma grande história que empolga pelos seus detalhes mínimos e que vale como o mais alto exemplo de dedicação, trabalho e ação. E é justamente essa história que vamos contar, a começar pelo seu personagem principal, este admirável Carlos Barth Júnior.

### 4. Origens e Infância de Carlos Barth Júnior

(Narrador):

Foi na cidade de Santa Cruz do Sul que Carlos teve o privilégio de nascer e crescer no seio de uma família tradicional, o casal Karl Franz Barth e Johanna Maria Iserhard. Naquele dia 28 de fevereiro de 1887, tudo era festa e alegria no dia em que vinha ao mundo o terceiro filho do casal: Carlos.

Na localidade de Rio Pardinho, em Santa Cruz do Sul, onde vinha ao mundo esse que seria um dos maiores vultos do comércio gaúcho, aquele menino haveria de iniciar os seus primeiros passos e conhecer os bancos escolares na escola pública local.

Aos 15 anos, entretanto, iniciava-se na vida conseguindo seu primeiro emprego. Estávamos no ano de 1902 e Carlos B. Júnior passava a dedicar suas primeiras forças à atividade comercial.

Empregador Bernardo Fischer: Você vai trabalhar conosco. Nos primeiros seis meses não ganhará nada. Será um período experimental. Depois, se aprovar, receberá ordenado de 10.000 réis, além de casa, cama e comida. Como vê, é uma grande oportunidade.

(Nota do editor deste texto: Bernardo era o agente técnico-comercial especializado das Casas Bromberg, famosa empresa importadora de Porto Alegre. Em Santa Cruz do Sul, Bernardo era encarregado de negociar, montar e dar assistência a maquinários pesados e complexos, como debulhadeiras e motores a vapor. Carlos foi contratado para ajudar Bernardo)

(Narrador):

O menino Carlos B. Júnior aceitou. Estava feliz da vida. Começaria ali mesmo, naquela casa de colônia de Bernardo, que vendia desde fumo em corda até o consumo da época. Em 3 anos de trabalho, sua dedicação agradou plenamente. Então, aos 18 anos de idade, ele começou a percorrer estradas a cavalo, cargueiro e charrete. Viajava cheio de esperanças e com grande interesse em vencer.

### 5. O emprego na H. D. Maier e a Jornada como Viajante com o burrico "Bismark"

(Narrador):

A seguir Carlos B. Júnior apresentou-se para novos desafios:

Empregador firma H. D. Maier: Muito bem, então o senhor deseja trabalhar? Pois lhe oferecemos 100.000 réis iniciais, o resto depende exclusivamente do seu trabalho, da sua dedicação e boa vontade.

(Nota do editor deste texto: Em 1905 Carlos passou a trabalhar na H.D.Maier que era uma grande casa atacadista e depósito de ferragens, que distribuía os produtos da matriz Bromberg para os pequenos armazéns e vendas da região colonial. Fica muito claro por que a rádio cita que ele se tornou um caixeiro-viajante: o trabalho dele exigia viajar pelas colônias para distribuir e vender as mercadorias de alto giro da H. D. Maier. Nesta época Carlos se mudou para Porto Alegre e estima-se que a H.D. Maier, apesar de situada em Santa Cruz, contratou Carlos para atuar a partir de Porto Alegre, viajando para o interior.)

(Narrador):

Sua dedicação ao trabalho e sua alta compreensão de responsabilidade angariaram simpatia e rápida ascensão na hierarquia comercial, chegando ao cargo de caixeiro viajante. Aqueles 100 mil réis iniciais foram se transformando em 150 e muito mais.

O viajante de hoje utiliza os meios mais confortáveis de locomoção, desde a primeira classe da aviação até veículos modernos. Mas naquela época, o transporte para fazer "a praça" exigia sincronizar forças com carroças e burricos. O burrico de nosso amigo era famoso e conhecedor pleno não só da zona de viagem, como também das próprias paradas. O nome do burrico era Bismark. Costumava-se dizer na época: "Se o Bismark não para, vocês também não. Ele não para diante de freguês que não é bom ou no mínimo é caloteiro". Sim meus amigos, Bismark por essas qualidades não merecia o título de burro.

Sim, amigos, aquele burrico conduziu o jovem e laborioso caixeiro-viajante Carlos Barth Júnior pelas estradas antigas e empoeiradas de nosso interior. Ele enfrentava quaisquer condições atmosféricas: chuva torrencial, sol abrasador ou ventania desabalada . Carlos B. Júnior consagrou-se, após 7 anos extremamente vencedores no setor da atividade comercial e em outras tantas empresas.

### 6. Casamento e Vida Familiar

(Narrador):

Houve outro fato bastante importante na vida deste homem que surpreendeu seu coração: a conquista de sua esposa, Elvira Friedrichs. O matrimônio foi realizado na tarde maravilhosa do dia 25 de novembro de 1911. Carlos recorda com emoção a celebração natural de todos os casamentos daquele tempo:

Carlos B. Júnior: Eu ainda me lembro de tudo isso. Meu casamento foi grandioso naqueles tempos. Os casamentos em Porto Alegre contavam com a presença de carros de cavalos. Depois das solenidades religiosas, os padrinhos levavam os noivos e convidados para um grande banquete. Minha esposa e eu viajávamos em uma carruagem puxada por quatro cavalos brancos, cercados de muita alegria e com grande número de pessoas participando.

Sacerdote: Carlos Barth Júnior, aceita por sua esposa a Elvira, em nome de Deus e da Santa Madre Igreja, até que a morte os separe?

(Narrador):

Um novo capítulo começava a ser escrito na vida deste grande homem. Usando de suas economias de um conto e trezentos mil réis (Rs1:300000), Carlos estabeleceu seu próprio negócio.

### 7. A Fundação e a Origem do Nome "A Brasileira"

(Narrador):

Estávamos no ano de 1915, na Rua São Pedro, esquina com a antiga Minas Gerais. Foi nesse endereço que nasceu A Brasileira. Mas por que esse nome foi escolhido? A resposta vem das próprias lembranças de Carlos B. Júnior:

Carlos B. Júnior: Como sempre acontece, a primeira preocupação do comerciante, por menor que seja o seu negócio, é a escolha de um nome para colocar em cima da porta. Por isso, tive o cuidado de selecionar uma série de nomes, tais como: A Brasileira, A Preferida, A Gaúcha, e assim por diante. Todo freguês que entrava na loja recebia a relação de nomes para dar a sua opinião sobre qual era o melhor. De todas as opiniões, o nome A Brasileira foi o mais votado. Daí a origem do nome que identifica a nossa organização.

(Narrador):

E A Brasileira, no ano de 1916, passava para a Avenida Eduardo, número 52. Foi nesse endereço que os negócios começaram a tomar maior desenvolvimento. Foi dessa época em diante que o porto-alegrense começou a ser beneficiado por uma casa de primeira e com preços realmente excepcionais.

Um ano depois, A Brasileira propagava através de folhetos distribuídos pelas ruas da cidade: "Casimiras para patriotas, o metro por 5.500 réis. E as donas de casa satisfeitas comentavam com seus maridos:

Dona de Casa: Veja isso, querido! Casimira por esse preço! Eu quero uma blusa.

Marido: Mas será que esse é o melhor preço?

Dona de Casa: Mas claro, querido, pois é um oferecimento d'A Brasileira! Olhe aqui mais: meias pretas de seda por 2.500, e você não disse que a sua picareta estava velha? Pois A Brasileira está vendendo picaretas por 3.500!

Marido: Está bem, está bem! Dou-te a blusa e tu me darás a picareta. Combinado?

### 8. Viagem à Europa e Modernização da Loja

(Narrador):

No ano de 1923, Carlos B. Júnior viajava para a Europa, onde conheceu as grandes capitais e suas grandes indústrias manufatureiras, bem como suas formas de negócio. Realmente, a sua experiência foi de grande proveito. Ao retornar, iniciava uma nova e grandiosa fase de atividade comercial, atraindo ainda mais a sua distinta clientela. O público habituou-se aos poucos a comprar mais e melhor por muito menos, consolidando a loja como uma das mais tradicionais da cidade.

Suas instalações foram ampliadas, passando a ocupar também o andar superior com novas seções . O quadro de funcionários cresceu constantemente e, na época deste registro (aos 39 anos de fundação), a loja já conta com um total de 85 moças trabalhando exclusivamente no atendimento à numerosa clientela.

Trinta e nove anos se passaram desde aquele 24 de abril de 1915, quando, às 9 horas da noite, no bairro São João, A Brasileira apareceu pela primeira vez. O modesto capital inicial de um conto e trezentos mil réis expandiu-se para milhões de cruzeiros, solidificando um patrimônio que orgulha a família Barth e a todos que reconhecem o valor de seu serviço social em favor de todas as classes.

### 9. Liderança e Sucessão Familiar

(Narrador):

A Brasileira de hoje é a realização máxima de seu fundador, Carlos B. Júnior, que até esta data ocupa o cargo mais alto da organização. Na função de sócios solidários, atuam seus dois filhos, que seguem o exemplo de trabalho do pai: Harry Barth e Egon Barth.

Estes são os homens que dirigem e administram A Brasileira, famosa por seus preços e tradicional pela qualidade de seus artigos. Uma história de 39 anos de bom serviço e consagração pública.

### 10. Homenagem Final e Encerramento

(Narrador):

É para o seu fundador, é para Carlos Barth Júnior, que endereçamos nossas homenagens mais expressivas. Para ele que venceu pelo trabalho e constrói, proclamamos neste momento: Honra ao Mérito!

Estendemos nossas homenagens aos senhores Harry e Egon, aos demais sócios, aos familiares e a todos que participam deste círculo de trabalho. De maneira especial, nossa reverência também à excelentíssima senhora Dona Elvira Friedrichs, esposa do homenageado, que com seu espírito compreensivo e amor materno colaborou para a grandeza espiritual desta grande obra comercial.

A todos, as nossas homenagens, simbolizadas nesta página musical que oferecemos de coração.

***

(Trilha Sonora / Página Musical)

(Locutor de Encerramento):

E assim, senhoras e senhores ouvintes, a Rádio Itaí concluiu a apresentação de um programa especial comemorativo ao 39º aniversário de A Brasileira, a loja mais querida e tradicional.

Desta homenagem ao seu chefe e fundador participaram os seguintes elementos de nosso elenco artístico:

Nelson Sobrinho

Ana Maria

Valdemar

Programa escrito e narrado por: Silva F.

Boa noite, ouvintes, e salve o mês de aniversário de A Brasileira!

A homenagem da Rádio Itaí

Em 1954 a Rádio Itaí fez uma Homenagem por ocasião do 39º Aniversário da Loja A Brasileira.

O audio ficou gravado em um disco 78 rpm que deve ter sido entregue ao Carlos Barth na época. Em 2020 o disco foi achado e feita uma gravação digital. Após um processamento digital do som a qualidade ficou razoável, e agora, foi transcrito para texto com grande acuracidade, quase tudo foi possível transcrever.

Segue a transcrição abaixo, o audio pode ser ouvido clicando ao lado.

Homenagem Rádio Itaí - 1954

Aqui pode ter um texto explicativo da seção abaixo -

Histórias

  • 19xx - A Viagem

    Tudo começa ,,,,

  • Lugar para contar historinhas rápidas

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